Curiosidade faz com que as pessoas gastem mais dinheiro

Mas por que quem é mais curioso gasta mais dinheiro? O economista Samy Dana, da TV Globo, explica neste artigo os motivos que levam as pessoas a gastarem mais quando são curiosas demais.

A curiosidade costuma ser ressaltada, com toda razão, como uma qualidade positiva. Muitas das invenções e descobertas da histórianasceram de mentes curiosas.

Mas existe uma consequência inesperada: pessoas curiosas são mais gastadoras. A curiosidade nos torna mais indulgentes na hora de comprar, sugere o estudo de três pesquisadores, Kyra L. Wiggin, Shailendra P. Jain e Martin Reimann.

É certo que o marketing das empresas usa a curiosidade para vender, tentando deixar os consumidores atentos aos seus produtos. Mas o trabalho, publicadono Advances in Consumer Research Journal, aponta algo diferente: a mera curiosidade sobre qualquer coisa já é o bastante para se querer gastar em algo.

Eles produziram vários experimentos para demonstrar como, curiosos, nos tornamos mais indulgentes. Em um dos testes, um grupo teve de rememorar ocasiões em que ficou muito curioso. Depois foi instruído a imaginar que finalmente iria fazer um cruzeiro muito esperado ao Caribe. Mas tinha economizado US$ 1 mil e, para viajar, dependendo do luxo, precisava pagar entre US$ 200 e US$ 1,2 mil a mais.

Um outro grupo, de controle, fez o mesmo teste e também tinha de decidir quanto gastar, mas sem ter lembrado de nenhuma curiosidade. Será que houve diferença nos gastos? Sim. Aqueles que não tiveram a curiosidade estimulada se dispuseram a gastar, em média, US$ 390 a mais. Já os curiosos, US$ 473, quase 20% a mais.

O resultado, para os cientistas, era um sinal de que, com a curiosidade estimulada, qualquer recompensa, como uma viagem, se torna mais atraente para muitas pessoas. Mas eles também queriam saber se isso também vale para o que comemos.

O experimento seguinte impôs aos participantes a decisão entre uma bela fatia de bolo de chocolate ou uma porção de salada de frutas. Desta vez os dois grupos eram de curiosos, mas eles foram divididos de maneira diferente. Um grupo, antes do teste, leu uma frase a respeito do que é ser curioso, sendo classificado de “baixa curiosidade”. O outro grupo, teve de lembrar de fatos intrigantes e sem resposta, sendo, por isso, definido como de “alta curiosidade”.

A próxima etapa foi escolher entre as duas sobremesas. Resultado: 6 em cada 10 participantes levados a ficar mais curiosos escolheram o bolo de chocolate. Já no grupo menos curioso 6 em cada 10 escolheram a opção menos calórica.

Mas o teste mais curioso foi o que envolve um consumo menos material: filmes. Os participantes deste teste também foram divididos em dois grupos, que viram uma mesma série de imagens, mas enquanto um grupo viu as imagens normais, o outro grupo viu todas borradas.

A opção agora era escolher entre a comédia Todo Poderoso, com Jim Carrey, ou o drama A lista de Schindler, ganhador de sete Oscars. Ou seja, a opção era entre um filme despretensioso e um filme mais prestigiado.

Enquanto 5 em cada 10 “não curiosos” escolheram o filme com a trama mais fácil, 7 em cada 10 fizeram a mesma opção entre os “curiosos”. Para os pesquisadores, até mesmo na escolha de um filme a curiosidade nos torna mais propensos a buscar a recompensa mais imediata.

Curiosidade é benéfica quase sempre. Mas o estudo serve de alerta: na próxima vez em que você estiver curioso fique atento, o risco no caso é descobrir que gastou demais.

Por Samy Dana, em G1.

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