Linhas do BRT já estão sendo criadas, mas por pessoas que sequer andam de ônibus

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A operação da maioria das linhas de ônibus de Campinas é tão mal feita que merece uma reflexão: quem está na EMDEC realmente entende sobre transporte público? Sabia que uma comissão de funcionários da própria EMDEC foi criada para reavaliar as linhas que vão operar em conjunto com o sistema BRT, mas eles sequer andam de ônibus?

O ODC teve acesso a alguns dados sobre as linhas que estão sendo feitas para o sistema BRT e descobriu que certos funcionários que estão nesse serviço andam em seus carros particulares há muitos anos. Como que pessoas que sequer andam de ônibus, vão montar linhas de regiões que nem conhecem?

Primeiramente, havia a necessidade de se fazer uma pesquisa origem-destino, para saber onde as pessoas vão, como elas se deslocam e quais linhas usam. A EMDEC gastou milhões contratando empresas para fazer pesquisas parecidas mas que nunca foram usadas de forma efetiva, ou seja, não foram usadas para melhorar as linhas. Como pode uma cidade como Campinas ter até hoje linhas que foram criadas ainda nos anos 60? Isso porque naquela época quem criava os itinerários era a própria empresa que operava, ela via que tinha demanda em determinado bairro e fazia um itinerário, apresentando-o à prefeitura, que dava o aval para a operação.

Até o momento as linhas do BRT são mantidas em total sigilo pois a prefeitura teme um desgaste político muito grande pois vários itinerários serão extintos ou cortados. Paralelamente a isso a EMDEC enrola com a licitação já exigida pelo Tribunal de Contas do Estado. Desde 2016 a EMDEC leva com a barriga essa licitação e diz que está “fazendo”, que “é muito complexo”… Podem ter a certeza de que quando o edital sair, tudo vai continuar como está. Poucas linhas serão mexidas, não haverá grandes exigências, a não ser para restringir a entrada de novas empresas.

Quem se lembra do edital do InterCamp, em 2005? Uma lista com várias novas linhas, divisões das obsoletas diametrais (bairro a bairro via Centro), uma frota otimizada e grandes pontos de integração, mas no fim nada foi implantado e tudo continua como há séculos.

Por isso, não esperem grandes mudanças, já que quem está com a responsabilidade de criar as novas linhas é incapaz, e a EMDEC, não tem interesse em melhorar o sistema. Quem sofre? O usuário, como sempre, que deixa de usar o sistema de ônibus e migra para os aplicativos, que proporcionalmente são mais baratos, confortáveis e rápidos.

Ou todos abram o olho e vejam isso como uma concorrência, ou em breve teremos ainda menos ônibus nas ruas.

Da Redação ODC.

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