Seguro de carro de aplicativo é até 32% mais caro no Rio de Janeiro

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• Com informações do Jornal Extra.

 







Os preços de seguros de carros para motoristas de aplicativos cresceram, em média, 32,2%, no Rio de Janeiro, na comparação entre os três primeiros meses de 2017 e o mesmo período deste ano. O índice está bem acima do aumento nacional, que foi de 24%. É o que revela um levantamento do Comparaonline, site que compara preços de seguros. O estudo se baseou em 200 cotações. De acordo com a pesquisa, no caso de um Renault Logan, o aumento chegou a 54,32%. O valor a pagar pela cobertura subiu de R$ 5.084,81 para até R$ 7.846,99. Outro dado que chamou a atenção foi o percentual de recusas: 31,58%.

Apesar de ser um fenômeno recente no país, o número de motoristas trabalhando com aplicativos se multiplicou no ano passado. Segundo dados da Uber, em 2017, a quantidade de trabalhadores cresceu dez vezes no país, chegando a 50 mil no último trimestre. Cabify e 99 não deram informações sobre sua base. Para especialistas, é natural que as seguradoras calibrem os preços.

— A tecnologia dos aplicativos chegou antes da modernização das seguradoras e elas, no primeiro momento, não estavam adaptadas. Observamos que esse reajuste segue a curva de aprendizado e conhecimento do perfil desse motorista — disse Paulo Marchetti, CEO do Comparaonline, acrescentando que o problema no Rio é que algumas seguradoras têm tido menos apetite para ofertar produtos.

— Algumas passaram a torcer o nariz para motoristas de aplicativo, devido ao gasto maior. E o risco de roubo é maior do que o de táxi, por se tratar de carro particular. São veículos de marcas populares, com liquidez na venda de peças no mercado clandestino — observou Bruno Kelly, da Escola Nacional de Seguros.

Cobertura do aplicativo

Os principais aplicativos de transporte oferecem um seguro para motoristas e passageiros. No caso da 99, a apólice é gerenciada pela seguradora Marsh, e o serviço cobre até R$ 10 mil em despesas médicas, hospitalares e odontológicas. Em caso de acidentes fatais ou invalidez, a cobertura é de R$ 100 mil.

A Cabify oferece o Seguro de Acidentes Pessoais a Passageiros (APP) para caso de morte ou invalidez de todos dentro do veículo e também cobertura para despesas médicas. A Uber tem um seguro nos mesmos moldes, no valor de R$ 100 mil por pessoa, para casos de morte acidental ou para invalidez permanente total ou parcial. Para despesas médicas, a cobertura é de até R$ 5 mil por pessoa.

Já entre as seguradoras, a Bradesco e Tokio Marine oferecem seguros para os motoristas particulares. No caso do Bradesco, não há, por parte da seguradora, restrições à contratação da cobertura veicular. O segurado deverá, obrigatoriamente, informar que o tipo de uso do veículo é para “aplicativo de transporte”. A Porto Seguro e a SulAmérica não responderam se o produto está disponível para contratação no Estado do Rio.

‘Passei cinco meses atrás de um seguro’

Há dois anos e meio atuando como parceiro da Uber, Luiz Augusto Machado, de 41, segue à procura de um seguro que seja viável para seu orçamento, e que considere a função de motorista de aplicativo. Segundo ele, a tentativa de conseguir uma cobertura veicular começou em setembro. Até o início deste ano, ele negociou com dezenas de seguradoras, mas não teve sucesso. O drama surgia no momento em que a informação sobre o serviço prestado era inserida no contrato:

— Basta informar que você trabalha como motorista de aplicativo que o valor dispara. Na média, a cobrança de um seguro para meu carro gira em torno de R$ 4.500. Quando digo que trabalho para a Uber, o valor vai a R$ 8 mil.

Diferentemente de Machado, que buscou um seguro que considerasse sua real atividade, muitos motoristas decidem omitir a informação para pagar um valor mais em conta. Mas, caso ocorra algum acidente durante a jornada de trabalho, o motorista de aplicativo poderá ter problemas com a seguradora. É comum as empresas se negarem a cobrir danos ao descobrirem que estes foram causados enquanto os segurados estavam em serviço, no caso de informação omitida.

Entrevista

Luiz Padial

Diretor de Automóvel da Tokio Marine

Como funciona o seguro?

Aplicamos a experiência com seguros de carro de passeio, táxis e demais tipos para melhor adequar este público, adaptando nosso questionário de perfil.

Quais são as condições de adesão?

A adesão se dá mediante o preenchimento de um questionário como o do seguro tradicional – logo no início da cotação, o motorista deve responder se o veículo é particular, táxi ou carro que transporta passageiros.

A Tokio registrou aumento da demanda?

Vendemos seis mil seguros nessa modalidade nos últimos 12 meses, mas a demanda tem crescido, e devemos ter um número muito maior ao fim de 2018. Os fatores que influenciam são índices de colisão e roubo ou furto. São os mais importantes, e o valor do seguro aumenta conforme o risco.

Como é o processo de migração de um cliente particular que começa a trabalhar como motorista de transporte?

Basta fazer um endosso, informando a mudança no uso de veículo e ajustar os quilômetros percorridos ou outros dados. O preço é maior do que para o veículo de passeio, pois estes carros rodam mais.