Tristeza pode te fazer gastar sem necessidade e se endividar, diz estudo

• Com informações do site Finanças Femininas.

 







Quem nunca sentiu aquela tristeza e logo pensou na “terapia de compras” que atire a primeira pedra. Pode ser que você fique mais propensa a comprar sapatos, ou prefira gastar uma grana no seu restaurante favorito – porque “você merece”. Esse reflexo não apenas é comum como também cientificamente comprovado: um estudo conduzido pelos departamentos de psicologia das Universidades de Harvard e Columbia, nos Estados Unidos, mostrou que estar triste pode ter, sim, um custo financeiro.

“Uma pessoa triste não é necessariamente uma pessoa sábia quando se tratam das escolhas financeiras. Descobrimos que as pessoas tristes são mais impacientes e frequentemente irracionais” comentou Ye Li, professor da Universidade Riverside, na Califórnia, que participou do estudo, para o site Valor Econômico.

Diversos estudos conduzidos nos últimos anos apontaram que pessoas tristes têm mais problemas com dívidas no cartão de crédito, empréstimos, finanças pessoais e seguros duvidosos. Por trás de tudo isso está a chamada miopia da tristeza – que, segundo o estudo, é a responsável por levar as pessoas a preferirem satisfação imediata em vez dos ganhos maiores que vêm com a espera.

E mais grave do que isso: a miopia da tristeza faz com que o gasto em si receba mais atenção do que o benefício que ele poderia trazer. Que perigo!

Gastar demais além da tristeza

Este não é o primeiro a relacionar a tristeza ao exagero nas compras. Agora, se para uma pessoa sã já é comum descontar nas compras, imagine para quem sofre com algum transtorno, como depressão ou ansiedade.

Quando levado às últimas consequências, o hábito de comprar excessivamente pode ser uma doença: a oniomania, conhecida como transtorno de compras compulsivas.

Diferente do consumista – que compra por desejar os produtos e gosta de mostrar suas aquisições – o comprador compulsivo usa o consumo com uma finalidade diferente. “A compra nesse caso é usada com um ‘remédio’ para as questões emocionais. Ela gera alívio e se torna a principal maneira de a pessoa lidar com sentimentos negativos”, explica Tatiana Filomensky, psicóloga do Ambulatório de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da USP.

De acordo com um estudo da pesquisadora Astrid Mueller, do University Hospital of Erlangen, na Alemanha, feito com 171 portadores de oniomania (nome científico para o transtorno de compras compulsivas), 90% desses pacientes também sofriam de outros transtornos psiquiátricos, ou sofreram ao longo da vida. Os mais comuns são depressão (74%) e ansiedade (54%), mas há também uma parcela que enfrenta ou enfrentou transtorno bipolar (TAB), transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e Síndrome de Borderline.

Será que sofro com o transtorno de compras compulsivas?

A que sinais ficar atenta para identificar o transtorno de compras compulsivas:

  • Preocupação excessiva e perda de controle sobre o ato de comprar.
  • Aumento progressivo do volume de compras.
  • Tentativas frustradas de reduzir ou controlar as compras.
  • Comprar para lidar com a angústia, ou outra emoção negativa.
  • Mentiras para encobrir o descontrole com compras.
  • Prejuízos nos âmbitos social, profissional e familiar.
  • Problemas financeiros causados por compras.